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Porque é que a Alemanha domina o mercado global de feiras

Razões históricas, geográficas e económicas fizeram do país um líder global no método secular de juntar vendedores com compradores.

A partir de abril, cerca de 200.000 visitantes vão regressar à Feira de Hanover para participar na maior feira industrial do mundo, que decorre no maior recinto de feiras do mundo. O evento, que foi apelidade de “Fachmesse”, é orientado a profissionais que pretendem investir milhões em maquinaria industrial, dos mais modernos e inteligentes robots a impressoras 3D que produzem estruturas biónicas quase como a mãe natureza as faria.

A feira de Hanover é um dos maiores eventos do seu género na Alemanha. Dois meses depois, Hanover receberá também a CeBit Computer Expo, que no ano passado recebeu 200.000 visitas depois de atingir um pico de 850.000 no auge do período dotcom. Frankfurt também tem uma feira automóvel e uma literária, Düsseldorf tem uma feira de barcos, Berlim uma feira de turismo. Tudo somado, a Alemanha é o lar para cerca de 150 feiras internacionais todos os anos, recebendo 180.000 expositores e 10 milhões de visitantes. De acordo com a Associação Alemã da Indústria das Feiras (AUMA), dois terços das mais importantes feiras mundiais ocorrem na Alemanha. Nesta forma particular de juntar vendedores com compradores, o país é um líder mundial indiscutível. Porquê?

Outros países também têm feiras, claro. Paris ainda tem a maior feira de aviação, juntamente com Farnborough na Inglaterra. Detroit ainda tem o seu salão automóvel, e Las Vegas a CES (Consumer Electronics Show). Mas a história, geografia e a economia conspiraram para fazer da Alemanha a terra das feiras.

NA IDADE MÉDIA, TODAS AS MAIS IMPORTANTES ROTAS DE COMÉRCIO ATRAVESSAVAM A ALEMANHA

As tradições de câmbio comercial são seculares. Na idade média, todas as mais importantes rotas de comércio atravessavam a Alemanha, com centros nevrálgicos desenvolvidos em Frankfurt, Leipzig, entre outros entrepostos comerciais. As primeiras linhas de comboio seguiam também essas mesmas rotas, tal como as primeiras autoestradas.

A Feira de Leipzig, por exemplo, tem as suas origens cimentadas no sec. XII e é a feira mais antiga em existência. Em Leipzig existe a intersecção entre duas rotas de comercio medievais, a este-oeste Via Regia e a Norte-Sul Via Imperii. Situada naquilo que era a antiga Alemanha do Este, Leipzig conseguiu manter o seu papel de centro comercial mesmo sob domino comunista, recebendo até uma feira da Comecon.

Começando com o Renascimento, os avanços tecnológicos na Alemanha juntaram-se à geografia tornando-se numa alavanca para a promoção de feiras. A primeira feira do livro de Frankfurt seguiu as pisadas da invenção da impressora de Johannes Gutenberg numa cidade próxima, Mainz. Até aos dias de hoje é a maior feira do livro no mundo e é também a feira onde se fazem os maiores negócios no mundo das publicações.
As políticas da Alemanha do inicio do séc XIX também ajudaram. Ao contrario das centralizadas Inglaterra ou França, as terras germânicas são organizadas por pequenos principados e paróquias lassamente conectadas debaixo do bastião do Sagrado Império Romano. Frankfurt era uma “cidade livre” e estabeleceu-se como um centro comercial e financeiro. Cidades como Nuremberga ou o porto de Hamburgo, Bremen e Lübeck estavam em situação similiar, tornando-se “zonas económicas especiais” ou “paraísos fiscais” do seu tempo.

Assim que a Revolução Industrial do sex XIX tornou a Alemanha um dos mais fortes produtores do continente, as feiras também acompanharam no crescimento em tamanho nessa nova economia. No sec XX este crescimento foi interrompido pelas duas grandes guerras e pela Grande Depressão. Mas a tradição foi ressuscitada imediatamente após a derrota de 1945. Ainda estavam os residentes de Hanover a limpar o entulho que sobrou da guerra quando um grupo de políticos locais fundou uma nova feira internacional, para substituir a de Leipzig que tinha ficado sob domínio comunista. A primeira feira de Hanover, em 1947, foi explicitamente marcada como “feira de exportação”. Rapidamente tornou-se numa grande ferramenta de marketing para a máquina de exportação da Alemanha.

Hoje em dia, o acumulado de experiência em feiras criou a sua própria vantagem competitiva. Juntamente com as feiras dedicadas a máquinas, a Alemanha tem também das mais antigas feiras de arte todos os anos em Colónia (desde 1967). A Photokina, também em Colónia, é das mais importantes no mundo da fotografia e imagem. Outras feiras especializadas em instalações sanitárias ou brinquedos em Nuremberga, ou mesmo moldes e plásticos na Fakuma-Messe.

As feiras na Alemanha são um grande negócio, com lucros combinados na ordem dos €3 biliões por ano. O boost económico conduzido pelos gastos com estas é ainda maior, estimando-se em cerca de @23,5 biliões. E as feiras ajudam, naturalmente, a aumentar as exportações alemãs. Mas acima de tudo são a prova do poder da tradição. O que começou como uma curiosidade geográfica séculos atrás cresceu para tornar-se num cluster de experiência e num nicho para o mercado moderno e global. E parece que a Alemanha está pronta para defender esse nicho ainda mais uns séculos.

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